14 jul 2010

A volta

Categoria: Au Pair is..., Medo

Por:

A hora da volta é um momento que pode nos tirar muitas horas de sono.Algumas meninas não vêem a hora dela chegar. Outras ficam apreensivas, pensando em como será.

Pra mim não foi diferente. Queria muito voltar pra casa, pra família, pro meu lugar…Porém, por outro lado, não queria deixar tudo “pra trás”: amigos, host family, kids…

Eu tentava não pensar muito na minha volta. Nos últimos meses tentei aproveitar ao máximo tudo que eu podia, fazendo coisas legais e passando o maior tempo possível com os amigos, que eu sabia que dificilmente iria voltar a ver. Tentei até mesmo ignorar que essa hora se aproximava.

Mas, não tem jeito e um dia chega a hora de voltar pra casa. Eu já tinha adiado essa volta, quando decidi renovar e ficar mais alguns meses nos EUA. No entanto, ela chegou.

E foi duplamente dolorosa. Em junho me despedi da família e dos amigos da costa oeste e fui passar quase um mês com os amigos e família da costa leste.

Não foi nem um pouco fácil me despedir dos primeiros, mas ainda tinha aquela sensação de que eu ainda não estava indo embora for good.

O mês seguinte eu viajei, passei tempo com as amigas, namorado, primeira host family, mas também não teve jeito. O dia da volta chegou. Eu nem sei dizer o que estava sentindo: era um mix de tristeza, alegria, saudades… na verdade eu tava meio numb. Embarquei em Boston e fiz uma parada em Chicago, e só então peguei o vôo para o Brasil. Esse tempo todo eu ainda estava “sem sentimentos”. Não chorava, não me sentia feliz, não me sentia triste. Foi uma sensação muitíssimo estranha.

Foi só quando o avião pousou em São Paulo que caiu a ficha e me bateu um desespero, como se agora tudo tivesse acabado, a página tivesse virado e que não teria mais volta.

Comecei a chorar, descontroladamente. Quando reencontrei minha família então, nem se fala. Eu simplesmente não conseguia dizer nada. Sem nenhuma dúvida eu estava muito feliz em revê-los depois de tanto tempo, mas ainda tinha o sentimento de perda, de “está tudo acabado”.

Mas isso logo passou e voltei a me sentir em casa, no meu lugar, no lugar ao qual eu pertenço. Ah, e esse sentimento foi um dos melhores que já senti. Não existe nada igual nossa casa.

Depois percebi que não, a vida não pára depois que voltamos. Ela muda, toma rumos diferentes. Há um período de readaptação e logo tudo volta ao normal. Com um diferencial: várias experiências vividas, memórias, amigos, viagens e muito mais pra gente carregar pra vida toda.

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