15 abr 2014

Hora de voltar…

Categoria: Atividades, Au Pair is..., Cultura, Dicas, Medo

Por:

Decidir ser Au Pair é muito difícil pois implica deixar toda sua vida, conforto, amigos, família, trabalho e muitas outras coisas de lado para aventurar-se em um mundo novo de muitas descobertas, principalmente uma AUTODESCOBERTA, pois voltamos nos conhecendo melhor, as fraquezas, as forças e capacidades que temos e não sabemos e muito mais…

Mas acontece que é ainda mais difícil decidir ficar por lá ou voltar… uma vez lá a gente começa a se sentir familiarizada com nossa host family, com nossa casa, com nossas host kids e com os amigos que fazemos pelo caminho… e fica ainda mais difícil tomar a decisão de que caminho seguir quando chega a hora de partir.

As aspirantes a Au Pair sabem que podem estender o programa por mais 6, 9 ou 12 meses se quiserem e se a família desejar, ou com outra host family se assim preferirem… mas a escolha de seguir sendo Au Pair ou voltar pra casa, para sua casa, para sua família real é ainda mais complicada. Dá um nó ao pesar os prós e contras… dá uma aflição, um medo de se arrepender com sua escolha, a gente chora, sofre, grita por dentro, pede respostas pra Deus ou qualquer outra energia que nos possa guiar nessa decisão.

Minha decisão foi difícil… cada vez que eu falava sobre isso com minha host family eu chorava, cada vez que falava com minha família real eu também chorava… quando chegou perto do oitavo mês (aquele crucial em que você tem que estar preparada para escolher…e na maioria das vezes não pode voltar atrás) eu comecei a sofrer demais, como se meus dois braços estivessem atados a duas cordas e cada uma me puxasse para um lado diferente… metade de mim queria permanecer e continuar vivendo uma vida de “babá sonhadora” e a outra sair correndo para ver minha família real, ganhar o abraço dos meus familiares, a alegria dos meus velhos amigos, comer a comida deliciosa que só o Brasil tem, ver as belezas e sentir o clima gostoso peculiar ao meu lar…

“Home is where the heart is…” (Lar é onde seu coração está) são os ditos de um ímã de geladeira que comprei logo que cheguei lá, para me acostumar e fazer com que meu coração estivesse lá completamente, para eu pensasse nisso e não sofresse com a distância de casa (a famosa homesick) e pudesse amar intensamente as pessoas e o local em que estava, que seria meu novo lar durante este ano do programa.

Crédito da foto: Blog das Marias

Meu conselho para quem está vivendo esse impasse e quem vai viver (e é inevitável) é que siga seu coração… deixe ele falar por você na hora de escolher por ir ou ficar…. permanecer ou voltar… voltar não é regredir… nem ficar é fugir da realidade… cada uma sabe dos sentimentos que carrega por cada situação e só você vai saber o que é melhor para você naquele momento e no futuro… Não há mãe, pai, melhor amiga, pastor da igreja, papa, namorado ou vizinha que vá saber o que você sente e o que deseja fazer…por isso, confie na sua intuição e tome essa difícil decisão! Não tenha medo do resultado… você tem que escolher… a sua hora vai chegar!

Eu decidi voltar… não me arrependo, embora sinta muitas saudades de tudo e de todos. Quando estamos fora de casa acabamos reconhecendo que é preciso criar substituições que nos confortem fora do nosso ninho… Há as pessoas que são nossos portos seguros, há as que nos guiam, as que nos ouvem, as que nos entendem, as que passam pela mesma situação e nos identificamos com elas… às vezes há uma paixão, há o carinho que desenvolvemos pela host family…. enfim, criamos uma nova família fora de casa e ficamos com aquela saudade, aquela vontade de voltar pro nosso segundo lar e viver tudo de novo, assim como tínhamos saudades de casa… sentimos falta da nossa nova casa e dessa nova grande família que deixamos para trás…

O que mais me deixa triste e me fez chorar como criança foi pensar que muitas das pessoas que eu conheci na minha aventura eu nunca mais verei, nunca mais compartilharei momentos com elas, nunca mais poderei sentir o calor do abraço, a alegria da nossa amizade e não poderei tomar um café com elas quando eu quiser… isso dói, mas também dói a sensação de que tudo pode ser passageiro, as pessoas eram passageiras, como eu fui quando estava lá, eu poderia prolongar minha experiência, mas de qualquer maneira, meus dias lá, e de muitos amigos, estavam contados, todo mundo vai e volta e para mim aquela era a hora de voltar!

Claro que a gente mantém contato com as pessoas mais significativas e com quem tivemos  mais afinidades… uma amizade verdadeira não morre com a distância, mas é bem mais complicado manter a proximidade e o calor humano via internet… por isso doe-se, aproveite, se jogue, chore, dance, grite, ame, fale tudo que tem a dizer, viaje, coma, sonhe e volte, na hora que for para você voltar… pois todos os momentos que viver, com certeza não voltam jamais…

 

8 comments

  1. Karina disse:

    Lindo, Isa!!! É bem isso mesmo!! Decidi voltar com o coração apertado…mas a vida é feita de escolhas e tudo tem seu momento pra acontecer e pra acabar….ou começar neh…depende do ponto de vista! Adorei!! Bjos!!!

    • Isabella disse:

      isso aí Ká, imagino como está seu coração…aproveite muitooooo seus ultimos dias…como se fossem os últimos mesmo…ahahahah…beijoos!!

  2. Michele disse:

    Caramba!

    Belo texto, eu nem fui e já estou pensando nisso rsrs, ansiosa e como!

    • Isabella disse:

      heheheh, é normal..assim mesmo..essa fase de decisão..qualquer que ela seja, é complicada..mas a gente sempre resolve e supera as dúvidas..no fim tudo dá certo..beijoos

  3. Bia Souza disse:

    Oi Isabela, acho que já li o blog todo =)
    Achei muito interessante a inciativa de ajudar, pois eu muitas das duvidas solucionei aqui.
    Gostaria de poder conversar mais e saber mais, minha dúvida maior é que tenho o braço todo tatuado.
    Não são tatuagens agressivas, tenho uma câmera fotografica, filmes e etc… nada muito agressivo, mas com muita cor.
    Acha que isso pode influenciar ??

    Enfim, obrigada pelo blog no geral, foi um prazer conhecer
    abraçooo

    • Isabella disse:

      Olá Bia, tudo bem?

      bom, tem famílias e famílias…acho que v deve mencionar as tatuagens e mostrar pela camera e em fotos para que a familia não se assuste
      algumas regiões dos EUA são mais conservadoras mas outras muito liberais…então vc ve se a família aceita…se não acha agressivo, mesmo elas não sendo agressivas, algumas famílias não gostam da aparência.

      O jeito é ser sinecra..não esconder nada..pois vc vai morar um ano ou mais com eles então tem q se sentir bem, a vontade…fale e pergunte tudo antes de ir para nem vc e nem a família ter surpresas e a convivência for desagradável.

      Algumas famílias são tão liberais que nem se importam que a au pair fume, mas ai vai muito da família também, a maioria proíbe que a au pair seja fumante e algumas aceitam que ela fume fora do horário de serviço, claro..perto das crianças NEVER!! hehehehe

      espero ter ajudado..que bom que curtiu o blog =)
      beijos

  4. Anônimo disse:

    Que post liiiindo. Eu ainda estou na fase de decidir se irei ser Au Pair ou não, e realamente acredito agora que a decisão de voltar pra casa ou não deve ser muito mais crucial do que no inicio de tudo. Espero que você tenha tido uma experiência maravilhosa. Beijos

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