8 nov 2015

Não guarde seus sonhos na gaveta

Categoria: Au Pair is...

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Era final de 2014 e eu estava completamente desiludida da vida. Não acreditava mais no amor, porque havia tido uma grande decepção amorosa. O carinha que eu achava que era apaixonado por mim, de repente resolveu que era completamente apaixonado pela ex e o trabalho dos meus sonhos estava me dando pesadelos. Isso aconteceu depois que todas as áreas da minha vida estavam estabilizadas e você chega naquele ponto onde entende que o lugar mais “perfeito” que se deseja tanto estar, nem é tão fantástico assim. Exteriormente tudo era uma maravilha, mas dentro de mim havia se instalado um caos que só eu sabia o quanto doía. Meu coração gritava por mim. Cheguei em um ponto onde eu sentia a minha falta e tinha a sensação de que não me conhecia mais. Todos aqueles sonhos que um dia fui capaz de sonhar, estavam adormecidos em uma gaveta preguiçosa esperando um milagre que apenas eu poderia fazer. Na época, fazia a faculdade pela qual sou completamente apaixonada: o jornalismo. Ainda assim, sentia que estava fazendo a coisa certa, mas no momento errado. Com dois ciclos se fechando ao mesmo tempo, fui obrigada a encontrar esse desafio pelo qual havia esperado tanto tempo. Sempre fui daquelas sonhadoras que se dizem dispostas a explorar o mundo, caçar aventuras do mesmo jeito que uma criança brinca de buscar um tesouro e desde que me conheço por gente, a palavra “intercâmbio” fez parte dos meus pensamentos e projetos para o futuro, mas com a vida de adulta batendo na minha cara, esqueci completamente dessa possibilidade. É aquele famoso sonho que a gente acaba guardando na gaveta por achar que não estamos prontas ou até mesmo por medo de sair daquele tipo de zona de conforto que nem é tão confortável assim, mas que muitas vezes preferimos permanecer por medo de se frustar. Acontece com todo mundo. Foi exatamente nesse ponto, que o programa de Au Pair resolveu me dar um abraço e dizer “vem que eu estou te esperando”. E sem pensar duas vezes, eu fui. Já conhecia algumas meninas que haviam se jogado nesse mundão de meu Deus e parecia ser incrível, tudo o que eu mais precisava naquele momento. Depois de muitas pesquisas, mensagens trocadas no Facebook com amigas que já estavam nos Estados Unidos, havia tomado minha decisão: entraria para o time daquelas que trancam uma faculdade que amam fazer e investiriam todo o seu tempo para se jogar nesse grande processo de desenvolvimento pessoal. Como foi difícil explicar para as pessoas o que eu estava fazendo! Ouvia muitos “porquê você não termina a faculdade primeiro?” ou então “paty desse jeito vai cuidar de criança nos EUA? – essa eu pago pra ver, você não aguenta uma semana!”, ou ainda “mas você tem certeza que a agência é confiável e vai te mandar para os Estados Unidos mesmo? Viu aquela novela do Salve Jorge que mandava as garotas para a Turquia?”. Foram dias até convencer meus pais que era um programa sério e que eu ficaria bem. Dedicava grande parte do meu tempo assistindo a vídeos sobre o assunto e tentando entender um pouquinho de cada detalhe que faria parte da minha vida dali em diante.

Antes mesmo de entrar no avião que me traria para o hemisfério norte, foi possível notar uma coragem que nunca havia tido brotando em mim. Aquela menininha que um ano atrás jamais cogitaria a possibilidade de viver um ano longe da família, dos amigos e do namorado, se arriscando por algo que ela, de fato não fazia ideia se iria mesmo dar certo.

Hoje em dia, faz dois meses que eu moro na linda, verde e chuvosa cidade de Seattle, no estado de Washington, e tenho aprendido a me superar a cada dia que passa. Já chorei muitas vezes com saudades de casa, já tive a sensação que poderia morar aqui para sempre e dez minutos depois, pensar em pegar o primeiro avião com destino a São Paulo. Mas uma coisa eu posso te garantir, vale muito mais a pena chorar de saudade do que de frustração por não ter tido a coragem de largar um emprego que não te faz feliz ou então de enterrar um relacionamento que está morto há tempos. A gente pode até tentar enganar outras pessoas postando as melhores fotos de casal nas redes sociais, mas a gente sempre sabe quando um cadáver cheira mal e precisa ser colocado embaixo da terra para finalmente, abrir espaço para os acontecimentos que precisam ser vividos por você. Se for para guardar sonhos em alguma gaveta, que seja apenas aquele de padaria. Os outros, são importantes demais para não terem um papel decisivo na sua história. E como diria o poeta, a melhor maneira de fazer seus sonhos se tornarem realidade, é acordar.

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Por Beatriz Bigarello

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8 comments

  1. Nathalia disse:

    Cara, muito bom ler isso, estou passando pela fase de preparo para o programa, application e etc.Estava com medo de largar meu emprego também mas depois de ler seu texto me encorajou mais! boa sorte ai! e parabéns pela coragem de seguir seus sonhos!

    • Beatriz Bigarello disse:

      Muito obrigada Nathalia! Medo sempre vai dar em algum momento, mas sabe aquela frase:”Vá e se der medo, vá mesmo assim.”? Então, ela é o meu mantra aqui!

  2. Gessica disse:

    Nossa… isso foi um choque de realidade pra mim…
    amei o texto e é exatamente tudo o que sinto e que vivo!!
    Parabéns pela sua coragem Beatriz e muito obrigada por compartilhar, vc não imagina o quanto seu texto vai me impulsionar de agora em diante!
    bjos

  3. Marina disse:

    MARAVILHOSO seu texto !!!
    Me identifiquei demais a cada palavra, é bom saber que existem outras meninas passando pelo mesmo que eu, histórias como a sua inspira não só as au pairs ( e futuras), mas todas as pessoas que guardaram seu sonho em uma gaveta por medo de não conseguir.

    • Beatriz Bigarello disse:

      Eu só escrevi tudo isso Marina, porque um dia quase que acabei guardando os meus. Não quero que isso aconteça com outras pessoas, sabe? Boa sorte no seu processo!

  4. Maira disse:

    Olá Beatriz,
    Me identifiquei muito com seu texto. Estou em uma situação muito parecida aqui no Brasil. Decepção amorosa, trabalho que me faz infeliz e o pior de tudo é ter feito uma faculdade da qual já nem sei mais se é o que quero pra mim. Minha irmã já foi au pair ano passado, mas nunca achei que fosse pra mim até agora. Também sempre sonhei em morar fora do país e nunca achei que fosse possível, apenas deixei esse sonho guardado na gaveta. Medo nós sempre vamos ter, mas precisamos saber que alguns foram feitos para serem enfrentados. Já estou em contato com a agência para que ano que vem comece meu processo.
    Boa sorte na sua jornada por ai.

    • Beatriz Bigarello disse:

      Maira, nunca é tarde para a gente se reinventar e posso dizer que esse intercâmbio me fez um bem que jamais tinha sentido antes! Obrigada e se joga também!

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